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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Enquanto Ainda Há Céu

"QUEM É VOCÊ PRA VIVER MINHA VIDA? SEU VELHO IDIOTA, OTÁRIO, MOLEQUE!" 
E foi o fim da picada. Eram gritos, choros e tapas. 
Ninguém sabia quem era quem. Se não fosse pela mãe, alguém teria morrido. 
A filha e o pai nunca se entenderam. Ele queria viver a vida dela por ela. Não a deixava sair, ela não podia ter amigos, não podia respirar longe dele. Ela já não aguentava mais. Na casa dos 18 anos, o maior desejo da menina era jogar tudo pro alto e seja o que Deus quiser! 
Sonhos, metas... Tudo seria abandonado. 
Tudo. 
Tudo, exceto sua mãe. Ali sim era uma mulher de fibra. 
Aguentava dia e noite aquele velho idiota. Ele jogava na cara delas tudo que fazia. 
Velho filho da puta. 
Não fazia mais que a obrigação. Ainda lhe faltava muito para ser um homem. N'outro dia, mandou que a mãe escolhesse entre ele e a filha. Pobre mãe. Entre a cruz e a espada. Mas em nenhum momento deixou de escolher a sua filha. Menina de ouro. Esforçada e com sede de vencer tudo aquilo. Juntas, matavam um leão por dia. Mas o leão estava mais para fênix. Como pode ser? 
Um velho idiota, patético, 11 filhos espalhados pelo mundo e não criou nenhum. Agora ele vem querer dar lição de moral!? 
Velho nojento. 
Em uma ocasião disse que a merda que ele tinha feito na vida foi a menina. A mãe chorou junto com ela. 
Velho asqueroso. 
E ainda lhe pede respeito? Respeito? Ele mal sabe o que significa essa palavra. 
Velho burro. 
Mas cada uma dessas batalhas eram como degraus para a mãe e a filha. Degraus que elas usariam para sair daquele calabouço. 
O inferno? O inferno é aqui!

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