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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Verso de dois segundos

"Você ainda gosta de mim?"
Foi a última coisa que ela ouviu. 
Depois daquilo ela já não assimilava nada. A audição se foi. A consciência também. Tudo que ela precisava era saber o que dizer naqueles dois segundos de direito a pensar. Foram os dois segundos mais longos da sua vida. 
E se ela falasse a verdade? 
E se dissesse que o amava mais que muita coisa nessa vida? Talvez até mais que a ela mesma. 
E se ela dissesse que não? 
E se ele dissesse que a amava? 
O que aconteceria caso ela não respondesse-o? 
Um segundo já se foi. Ela era calmaria por fora; tempestade por dentro. Ninguém sabia, mas aquela alma sangrava. De todos os sentimentos que possuía,  o mais nobre e forte era o amor. 
Sempre que este aparecia era verdadeiro. 
Intenso. 
Puro. 
Simples. 
Nada mais importava. Ora escondia, ora entregava-se. 
De vez em outra uma lágrima caía. De vez em outra, ela caía. 
Um segundo e meio se passou e a resposta não foi dita. Já estava ferida demais para aguentar o gosto do álcool que viria. Ninguém sabia o quão grande era o seu sentimento. 
Garota inocente. Como podia amar alguém que já não a ama mais? Como pode ser gostar de alguém que não tem? 
Dois segundos.
"Não". 
Disse mas os seus olhos a desmentiam. 
Ele a olhou por um bom tempo. 
Tempo suficiente para saber que mentira. 
"Ok".
E assim foram-se os dias. Ela o amava. Ela não sabia o que ele sentia. Caminharam juntos na incerteza sem saber que mesmo sendo corpos diferentes, aquelas vidas eram uma só.

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