"Você ainda gosta de mim?"
Foi a última coisa que ela ouviu.
Depois daquilo ela já não assimilava nada. A audição se foi. A consciência também. Tudo que ela precisava era saber o que dizer naqueles dois segundos de direito a pensar. Foram os dois segundos mais longos da sua vida.
E se ela falasse a verdade?
E se dissesse que o amava mais que muita coisa nessa vida? Talvez até mais que a ela mesma.
E se ela dissesse que não?
E se ele dissesse que a amava?
O que aconteceria caso ela não respondesse-o?
Um segundo já se foi. Ela era calmaria por fora; tempestade por dentro. Ninguém sabia, mas aquela alma sangrava. De todos os sentimentos que possuía, o mais nobre e forte era o amor.
Sempre que este aparecia era verdadeiro.
Intenso.
Puro.
Simples.
Nada mais importava. Ora escondia, ora entregava-se.
De vez em outra uma lágrima caía. De vez em outra, ela caía.
Um segundo e meio se passou e a resposta não foi dita. Já estava ferida demais para aguentar o gosto do álcool que viria. Ninguém sabia o quão grande era o seu sentimento.
Garota inocente. Como podia amar alguém que já não a ama mais? Como pode ser gostar de alguém que não tem?
Dois segundos.
"Não".
Disse mas os seus olhos a desmentiam.
Ele a olhou por um bom tempo.
Tempo suficiente para saber que mentira.
"Ok".
E assim foram-se os dias. Ela o amava. Ela não sabia o que ele sentia. Caminharam juntos na incerteza sem saber que mesmo sendo corpos diferentes, aquelas vidas eram uma só.
Nenhum comentário:
Postar um comentário