Isso não é certo! Não é!
Mas o que aconteceu aqui? Chorando, ela respondeu que ele havia entrado, bagunçado tudo e depois bateu a porta como se estivesse proibindo outros de entrar.
E como ficou? Partido, disse ainda em prantos. Ele não entendeu nada. Absolutamente nada. Pelo que ele sabia não havia porta naquele lugar.
Ele bateu a porta!
Menina, pare de chorar. Não há portas aqui. Estamos em uma praça. Já são 17:00. Vá para casa. Tomou muito sol.
Mas nada adiantou. Nem o consolo nem o afago do desconhecido. Ela chorava mais e mais.
Ninguém viu!? Será que estão cegos? Não vêem que estou sangrando? O desconhecido olhava-a de cima a baixo e não via nenhum vestígio de sangue. Menina maluca, pensou e foi saindo. Não vai! Por favor...
Já não tinha janelas, e agora a minha única brecha se foi. Era aquela porta. Uma porta que fica em uma casa no endereço amor. Nem sei mais como anda aquela rua. Não quero saber por muito tempo. É uma rua perigosa. Ouvi dizer que pessoas morrem por lá. Pegam até doenças. Eu, por exemplo, fiquei de cama semana passada. Peguei um pesar fortíssimo. Esqueci até quem sou/era.
Mas do que está falando? Perguntou agora calmo. Sabe aquele sorriso ali? Apontou para o horizonte. Qual? O que sorri em par? O desconhecido então via dois sorrisos. Exatamente. Eu já fui um daqueles sorrisos. Mal sabe o segundo que aquele sorriso vai se esvair. Depois de uma taça de ilusão, acompanhada de um bom prato de mentiras, vai encher. É difícil deixar de ser um sorriso em par. Mais difícil ainda é ver o par do seu sorriso ir de encontro com outro que não o seu.
Moça, faça o seguinte: Cave um buraco, procure uma saída. Sorria, mesmo que sozinha. Deixe que a borboleta pouse em seu ombro.
''Eu já fui um daqueles sorrisos... É dificil deixar de ser um sorriso em par''
ResponderExcluirLindas palavras Gabuga, até posso sentir o que as letras dizem.
Este comentário foi removido pelo autor.
Excluir